Minha visita a Auschwitz

Ontem tive um dos dias mais marcantes da minha vida, um desses dias que a gente não esquece nunca: visitei o Museu de Auschwitz, na Polônia. A viagem foi um pouco longa, mas vale o esforço. Penso que todo alemão deveria visitar pelo menos uma vez na vida esse museu, uma espécie de peregrinação sagrada da história alemã. A história negra da Alemanha.

Auschwitz Birkenau, versão alemã para Oświęcim Brzezinka, é um conjunto de campos utilizados pelo governo do Fürer para "abrigar" presos durante o tempo de ocupação da Polônia. Auschwitz 1 servia como sede administrativa  do complexo. Auschwitz 2, ou Birkenau, era o maior dos campos, onde as pessoas consideram realmente como Auschwitz. Auschwitz 3, ou Monowitz, era o campo de trabalho, onde os presos eram usados na força braçal para a indústria nazista.

Logo na entrada a frase Arbeit Mach Frei (o trabalho liberta) mostra a contradição de um líder político que parecia não ter a menor ideia da aberração que estava escrita ali. O dia estava frio, nublado, e é impossível não sentir o ambiente pesado. Com um pouco de imaginação é possível ver pessoas sujas trabalhando ali, de tão impressionante é o lugar.

Agora o museu é um lugar limpo, muito bem cuidado e bonito. Sim, muito bonito, com jardins belíssimos e flores que parecem não fazer ideia do que aconteceu ali num passado não tão distante assim. Pequenas flores que nos ajudam a disfarçar a vergonha de ter permitido que um ligar daqueles viesse a existir.

Dentro do museu há várias histórias de pessoas que ali morreram. Alguns morreram de tanto trabalhar, outros morreram nas câmeras de gás que matavam cruelmente pessoas pelo simples fato de professarem a fé judia, na maioria dos casos.

Uma das histórias que me chamou a atenção foi a de Edith Stern, agora conhecida como Santa Tereza Benedita da Cruz. Judia, Edith se converteu ao catolicismo mesmo sem a aprovação da família, que a rejeitou por um bom tempo. Participou da Ordem Carmelita Descalça, de onde escrevia semanalmente para a mãe, mesmo sem receber nenhuma resposta. Foi presa pelo nazi e levada para Auschwitz, onde morreu na câmara de gás de Birkenau. 

Quando digo que todo alemão deveria visitar pelo menos uma vez o Museu de Auschwitz não é porque é algo bom para se lembrar. Pelo contrário, em toda a Alemanha impera o silêcia sobre esse assunto, uma página triste da história do país. Mas é uma história que não pode ser esquecida por um motivo simples: não podemos deixar nunca mais que algo semelhante ocorra. 



Um comentário:

  1. Oi Liesel, o holocausto foi uma mancha na história da humanidade. Seu texto está lindo e se eu já tinha o propósito de conhecer Auschwitz, agora mais ainda. Sou de família judaica e tudo que se refere aos judeus me interessa. Não consegui abrir a sua foto da postagem. Suponho que eu deva atualizar algo em meu comput. Abraços, S.

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